"Quero ser leve, quero que o vento me leve, quero flutuar."
Suzana, 14 anos.
"E eu disfarço como posso. Às vezes, quando sentamos na porta da rua e você se debruça em seus joelhos me espiando pelo canto do olho… ah! Eu então olho o céu, começo a tossir, tiro a lasquinha das unhas, dissimulo. Mas nada te atinges, tu continuas a me espiar. Porque tanta curiosidade? O que buscas em mim? Ou melhor, se um dia desvendar-me, a quem irias contar minha alma crua? Finge — digo a mim mesma — finge depressa que é outro, dá falsa empolgação, faz-lhe pouco caso, não intensifica, menina, não se apaixona mais." - Suzana Monteiro
"É por isso que eu sei que nós somos amor. É por isso que eu não tenho medo de dizer que te amo. A gente se casa, se preciso for. Compra uma casinha amarelinha com uns dois ou três vasinhos na janela. A gente planta umas margaridas. Se embriaga com os nossos cheiros. Tato e contato. Tem dois filhos. Briga pelo pedaço de torta. Programamos uma noite incrível e desistimos de última hora porque sabe que não há lugar melhor que se aninhar no colo do outro e ficar olhando o céu. E vai levando assim mesmo, acolhendo essas miudezas que mudaram nosso mundo inteiro. A frieza do resto a gente ignora, é bobagem. Embora o mundo se volte contra nós, eu nunca desacreditei do amor. Pra mim ele tem nome, sobrenome, cheiro e endereço. Eu to abrindo mão de muita coisa por nós, e a última coisa que eu quero agora é me arrepender. Melhor que seja você, entendeu?" - Suzana Monteiro
"Enquanto tu me fazias acostumar à tua imagem, eu tentava (em vão) te fazer aceitar as minhas manias. Dei-te todo o meu amor para ter com quem dividir a alma, mas você, nem tanto… E tu, amor? O que fizeste a mim? Quanto me amaste? — Ou melhor: vindo de ti, realmente existiu amor? (…)" - Suzana Monteiro, Das coisas que ninguém sabe.
"Muitas vezes tive vontade de perguntar se aquilo tudo era importante pra ele, como era pra mim. Mas, por isto ou por aquilo, alguma coisa sempre me impedia. Talvez uma intuição desconhecida me dissesse que jamais obteria uma resposta. Com certeza, fugiria da pergunta sorrindo daquele jeito manso que ele sabe que mexe com os meus sentimentos (…)" - Suzana Monteiro
"Aquele verão foi um novo começo, e um novo fim. Quando olho pra trás, lembro-me de risos, calor e do céu azul, e sei que o meu verão (e o meu coração) pertenceram a uma pessoa só. Quem além dele esconderia meus sapatos só para que eu não fosse embora? Ele era assim, isso era típico, e eu o adorava." - Suzana Monteiro
"(…) — Mas foi tudo mentira? Ou algum “eu te amo” foi verdadeiro?
Ele estava de pé, e me olhou com cara de deboche. Não me respondeu. Não houve nada além do olhar de quem pouco se importa, acompanhado de um sorriso de quem não entende das coisas. Virou-se e, com aquele típico andar lento, caminhou pela rua. Fiquei sozinha, na porta, esperando ele virar a esquina. Nunca mais falamos do assunto. E me pergunto até hoje qual seria sua resposta se eu o tivesse pressionado." - Suzana Monteiro, Das coisas que ninguém viu.
Ele estava de pé, e me olhou com cara de deboche. Não me respondeu. Não houve nada além do olhar de quem pouco se importa, acompanhado de um sorriso de quem não entende das coisas. Virou-se e, com aquele típico andar lento, caminhou pela rua. Fiquei sozinha, na porta, esperando ele virar a esquina. Nunca mais falamos do assunto. E me pergunto até hoje qual seria sua resposta se eu o tivesse pressionado." - Suzana Monteiro, Das coisas que ninguém viu.
"É nisso que você se faz acreditar — porque no fundo, sabe que essa pequena mudança de sorte é um sinal das coisas que estão por vir. Você ama, você acredita. De um modo ou de outro, você se enche de esperanças." - Flutuar, Suzana Monteiro.
"Amigos não são tão fáceis de descobrir. Amigos a gente tem que segurar bem perto do peito e guardar, guardar para a vida inteira. Eles se guardavam. Acreditavam um no outro. Se davam bem. Embora um dia a maioria dos amigos se separem, é algo difícil de acreditar que aconteça com aqueles dois. Tantas conversas jogadas fora, as descobertas, os sonhos, os risos e as dores compartilhadas. É impossível crer que tudo isso se transforme em saudade. Afinal, para eles, os seus momentos foram os mais significantes que já puderam ter." - Suzana Monteiro em Caio e Mônica.
"E por mais que eu queira, agora, mais que qualquer outra coisa no mundo, não permitir ser tomada pela saudade, as memórias giram em minha mente, atropelando umas as outras, disputando qual é a mais doce. São dolorosas demais para que eu suporte, porém belas demais para que eu as afugente.
As memórias são tudo que me resta…" - Suzana Monteiro
As memórias são tudo que me resta…" - Suzana Monteiro
"É inútil. Não conseguirei jamais encontrar alguém que me faça tão feliz como ele me fez. E sei também que não há distração que me faça tirá-lo do pensamento. Estou cansada, sinto-me sozinha e preciso desesperadamente de consolo. E a verdade nua e crua é que não há consolo para mim." - Suzana Monteiro